Entrevista para jornal impresso

Por Bruna Camargo – Jornal Diário de Sorocaba, em 10/07/2017
FEBRE NA INTERNET

As cidades do entorno de Sorocaba já revelaram youtubers que, atualmente, são bastante conhecidos na Internet. Em uma longa lista de canais de todos os tamanhos, alguns destacam-se pelo humor e persistência. Os donos dos canais “Daniel Murillo Show”, “Mas é o Cúmulo” e “Ander Jackson” contam qual foi o caminho percorrido até milhares de visualizações e curtidas na plataforma de vídeos YouTube.

O RAPAZ DO ‘CASTELE’ – “Toda vez que eu ia no shopping, ouvia alguém gritando ‘castele’”, conta o comediante votorantinense Daniel Murillo, 26 anos, que ganhou destaque quando seu vídeo “Minha Cidade” viralizou nas redes sociais, em 2015. Hoje, o canal “Daniel Murillo Show” tem mais de 6 mil inscritos e 400 mil visualizações.

O primeiro vídeo foi postado no YouTube há cerca de dois anos para tentar alcançar um público ao qual Daniel não chegava com suas apresentações de stand-up. “Tinha algumas piadas para além do palco. Lógico que o excesso de tempo livre também ajudou”, brinca.

Com alguns equipamentos emprestados até comprar os próprios, conseguiu produzir conteúdo original. “Fiz várias tags, mais para parodiar esse formato”, explica Daniel, referindo-se aos vídeos que se tornam correntes com temas repetidos por vários youtubers. O vídeo “Minha Cidade” é um exemplo de tag, no qual ele revela as gírias de Sorocaba, como `castele´, `quaiar o bico´, `porva´ e `xé´. “Fiz porque eram umas piadas que fazia no meu stand up e não iria utilizar mais; então, resolvi registrar. Minha expectativa era alcançar 30 mil visualizações em um mês e teve 100 mil em uma semana”, conta. “Foi muito incrível. porque o pessoal gostou e se identificou”.

O comediante utiliza a plataforma do YouTube como uma forma de aumentar a audiência de seu stand up. “Como a Internet é a nova TV, é o meio principal que qualquer artista tem para se divulgar”, afirma. “Curto mesmo é o show ao vivo; ver as pessoas, ouvir as risadas. Isso vale mais que um vídeo viral”.

O canal, no entanto, não será deixado de lado. Há algum tempo sem postar vídeos, Daniel esclarece que 2017 mudou sua vida e resultou na falta de tempo, mas que voltará à ativa em julho, com duas publicações semanais e exibição de trechos dos seus shows. “Vou usar outros formatos para fazer outras ideias de piadas”, diz o comediante, contando assistir todos os tipos de youtubers para ganhar referência e acredita que pode ganhar espaço em meio a tantas produções. “Na Internet, em geral tem público para tudo. Um bom canal precisa ter um bom conteúdo e saber se divulgar para atingir esse público”, pontifica.

ACERTO NA SEGUNDA TENTATIVA – Quem vê os quase 100 mil inscritos no canal de Abner Wesley, 17 anos, não imagina que, em 2011, o morador da Vila Olímpia, em Sorocaba, já havia tentando o sucesso com o grupo de amigos. Desde os 10 anos de idade, o estudante divertia-se fazendo apresentações na escola através de vídeos. “A gente gravava sobre o tema que o professor pedia, editava e mandava para ele; a sala inteira dava risada”, conta Abner.

Logo, o caminho para o YouTube foi natural. “Éramos viciado em youtubers da época. A gente se reuniu e gravou alguns vídeos, mas a ideia foi cancelada logo em seguida, porque era muito ruim”, lembra. Hoje, seu canal “Mas é o Cúmulo” já tem mais de 2 milhões de visualizações e ganha novos seguidores todos os dias.

Com a decisão de voltar a gravar sozinho, em meados de 2015 Abner teve de escolher um nome para a nova empreitada no YouTube: “Eu não queria dar o meu nome para o canal. Acho que ‘Abner’ é muito difícil de ser lembrado – apesar de existir o Whindersson Nunes”, brinca. “Então, peguei um gibi da Turma da Mônica e um dos títulos da história era ‘mas é o cúmulo’, expressão que eu gostava muito de usar”.

O retorno veio primeiro dos amigos. “Recebi muitos elogios na escola. É claro que tem aquelas pessoas que, por trás, falam mal, porém nunca levei isso como algo ruim, mas uma crítica para melhorar”, garante Abner.

Já a família viu com outros olhos. As conversas refletiam a preocupação com os estudos e como a vida na Internet poderia interferir nos mesmos. “Os planos deles para mim eram outros”, conta. A situação mudou após os parentes observarem os resultados positivos.

Abner afirma ainda ter entrado no YouTube no momento em que o tipo de vídeos que fazia estava em alta, o que o ajudou a ganhar atenção. Sua preparação envolveu inspirar-se nos youtubers já conhecidos, como Júlio Cocielo, Felipistando, Carolinne Silver e Mítico Jovem, e assistir outros canais. “Na verdade, observei tudo que não deveria fazer”, admite, rindo.

A Internet oferece uma carreira promissora para o jovem, que se empenha em fazer sua visibilidade crescer. “Tenho um planejamento de postar, pelo menos, dois vídeos semanalmente, pois assim você não cai no esquecimento”, explica. “Saber a opinião do público também é muito importante, por isso sempre peço”.

O segredo de um bom canal, conta Abner, é conseguir cumprir o objetivo do seu conteúdo. “Se for de comédia e ele tirar um sorriso das pessoas, aquele canal é bom”, exemplifica. “Na verdade, faço o conteúdo que eu gostaria de assistir”.

O público do “Mas é o Cúmulo” tem ficado satisfeito e passou a reconhecê-lo; Abner costuma ver meninas olhando e cochichando quando passeia. “Tiram fotos minhas pensando que não estou vendo”, ri. “Da última vez, o flash do celular estava ligado. A menina ficou toda sem graça”.

Para o futuro, o jovem tem planos de investir em uma marca para atingir as pessoas que não acompanham a Internet. “Pretendo levar (o YouTube) como profissão inicial para poder investir em outros meios depois”.

DAS BRINCADEIRAS PARA AS PARÓDIAS – O canal é recente, o número de seguidores ainda não é tão alto e poucos vídeos foram postados. No entanto, o agendador de serviços Ander Jackson, 22 anos, está com todo o gás e empolgação para ganhar seu espaço como youtuber. “Sempre postei vídeos no Instagram ou nas histórias do Snapchat. Veio a ideia de postar no Facebook e, para acompanhar o ritmo, cheguei até o YouTube”, explica.

Com o celular que lhe oferecia boa qualidade de vídeo e conhecimentos de edição, decidiu se arriscar. Morador do bairro Wanel Ville 3, em Sorocaba, Ander é conhecido por ser naturalmente engraçado, mas ficou confuso no início das gravações: “Não sabia o que falar e nem como fazer”, revela. “Mas devemos ser nós mesmos e me inspirei em como minha vida estava na época, com muita gente falando das redes sociais das pessoas”.

Após alguns vídeos em que conversa com a câmera de modo espontâneo e cômico, Ander passou a publicar paródias musicais no canal que leva seu nome: “Escutando músicas normais, sempre acabava fazendo uma paródia de brincadeira. Decidi compartilhar com a galera que me segue”.

“Despacito” tornou-se “Tô póbrito”, “Bad Liar” ficou “Me trai” e “Shape of You” virou “Eu odeio meu cabelo ruim”. O jovem escreve a letra, busca a versão instrumental da música e grava sua versão; o processo leva cerca de dois dias. O investimento financeiro fica entre R$ 30 e R$ 40 para impulsionar os vídeos no Facebook. “Ultimamente, tem saído mais paródia para aproveitar o público das músicas novas”, explica.

Para Ander, ser autêntico é essencial na Internet. “Tentar ser outra pessoa não vai gerar um bom resultado”, comenta. Com pretensão de seguir a profissão de youtuber, ele tem objetivos claros em mente: “Sem meta, seria como andar em círculos sem saber para onde ir; é importante tanto para a vida pessoal quanto para a profissional”.

Internautas devem buscar conhecimento

Os youtubers surgiram logo que a população percebeu que poderia utilizar a plataforma de vídeos como ferramenta para estar do outro lado e criar informações, de acordo com a doutoranda em Multimeios pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e mestre em Comunicação e Cultura pela Uniso (Universidade de Sorocaba), Thífani Postali. “A gente conversa com os mais jovens e pergunta ‘o que você vai ser quando crescer?’, e eles dizem ‘youtuber’”, afirma.

Para Thífani, a possibilidade de estar em vídeos democratizou a comunicação. “Não é só através dos filtros da grande mídia”, explica. “Pela primeira vez, não só pelo YouTube, mas pelas redes sociais, as pessoas podem se posicionar, podem falar”.

Como tudo tem os lados positivo e negativo, tal liberdade implica no cuidado do produtor e também do receptor da informação: “A gente vê muitos youtubers falando o que querem, sem propriedade. Isso acaba sendo um problema, porque as pessoas confiam nessa imagem, que Edgar Morin chama de ‘star system’”.

O público deve, então, ter em mente que youtubers são, em maioria, pessoas comuns, dando opiniões pessoais sobre determinados assuntos.

Thífani acha o YouTube uma boa oportunidade para que criadores de conteúdo tenham espaço para mostrarem seus trabalhos. “O que é diferente daqueles que falam ‘vou abrir um canal, mas ainda não sei o que fazer’”, exemplifica.

A pesquisadora ainda repudia a postura de alguns canais. “Quando a gente pega uma pessoa que tem milhões de seguidores no YouTube e ela fala que tal dieta resolve sua vida em um mês, é problemático, porque você se torna um influenciador”, pontua. “A pessoa insere e retira significados das coisas. O que eu critico é a não medida sobre o que falar e como falar”.

A cultura do brasileiro em ter credibilidade cega na grande mídia complica a situação, segundo Thífani. “Por anos, nós nos deixamos levar por aquilo que a gente via na tela da TV. Quando a gente passa para a tela da Internet, continua acreditando”, observa. “Estamos num momento de aprender; ainda somos analfabetos digitais”.

COMUNICAÇÃO – Thífani defende que o momento é de diálogo e de estudos. “A chave para você não ser engolido por tantas opiniões é, justamente, buscar informações com profissionais, artigos, livros e matérias, para daí mensurar se aquilo é válido ou não e ter sua própria opinião”, afirma.

“A gente vai no básico e fecha com uma ideia vazia. A Internet depende muito mais da nossa atitude para investigar as coisas do que a TV, que dava tudo pronto”, diz a pesquisadora. “Depende muito da gente e nós não estamos preparados. Temos que falar mais sobre isso”.

PROFISSÃO – Cursos são dedicados à produção de vídeos para a Internet, enquanto o número de pessoas que criam canais continua aumentando. No entanto, Thífani acredita que o fenômeno não deve perdurar dessa maneira por tanto tempo. “Não sei o que vai acontecer, mas acredito que seja uma fase”, diz.

Para a pesquisadora, tratar youtuber como uma profissão é arriscado. “É uma coisa que você faz sem esse nome”, opina. “Você pode viver de um canal no YouTube, mas não é uma profissão”, reconhece.

Logo, Thífani acha válido que os usuários dessa ferramenta estejam buscando ir além da plataforma e espera que, para os que continuem fazendo vídeos, cuidados sejam tomados. “Espero que haja regulamentação!”

Link da matéria: http://www.diariodesorocaba.com.br/noticia/252835
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Nota sobre saúde, nota sobre a minha história.

Decidi compartilhar para que mais pessoas busquem ajuda
Durante toda a minha vida, achei que eu fosse fraca para dores. Desde a minha primeira menstruação, sofro com cólicas, tendo que ir, por muitas vezes, ao Pronto Socorro para ser medicada às pressas. Eu não entendia porque eu não suportava aquela dor, já que com a maioria das meninas que eu conhecia, ainda que sofressem, não era dessa forma. Eu não sabia explicar exatamente o lugar da dor. Começava no útero, mas ia para as costas, pernas, intestino etc. Era insuportável e todo mês, antes de menstruar, eu ficava apavorada. Passei todo esse tempo indo a médicos, fazendo exames. Nada! “É só cólica menstrual”, “Toda mulher tem isso”, “Você tem que ser mais forte” etc. Como ser mais forte se até o corpo desligava?

Depois dos vinte e cinco anos, as dores deram uma trégua, mas as cólicas voltaram com tudo após os 30. Tenho 34. Busquei vários médicos e eu dava todas as dicas: tenho dor fortíssima em meu intestino e, durante a menstruação, ela fica insuportável. Invalida-me. Sinto dores abdominais, sinto sempre os três mesmos pontos em meu abdômen, além do intestino. Bateria de exames e nada. Ginecologistas e gastros diziam a mesma coisa: seus exames estão perfeitos, você está bem! Alguns diziam: deve ser emocional.

Certa vez, uma médica me disse: isso está com cara de endometriose, mas o seu convênio não cobre o tratamento e nem os exames. Opa! Descobri que os diversos exames que havia feito não detectavam a tal endometriose. Disse ainda: tome anticoncepcional e, se melhorar, deixa assim.

No ano passado, 2016, tive uma forte dor abdominal e busquei a ajuda de médicos especializados nessa tal de endometriose. O que é isso, afinal? Paguei  médicos e exames caríssimos, e descobri um nódulo em meu intestino. Exatamente onde eu reclamava de dor. A médica, então, me alertou: você tem endometriose profunda, mas não temos outra forma de detectar como está o seu abdômen, senão pela cirurgia. O custo da cirurgia é demasiadamente salgado, pois envolve duas equipes médicas: ginecológica e gastrointestinal. Nesse mesmo momento, fiz um convênio melhor, que cobria boa parte dos profissionais que eu precisava. Ainda bem que descobri a essa altura da vida! Como custearia tudo isso com vinte e poucos anos, sem a ajuda de familiares e amigos? A frase que não sai da minha cabeça: Como é possível não existir tratamento para quem não pode pagar?

Bom, de lá para cá, as dores se intensificaram e eu tive que tomar ainda mais providências. Os médicos, a princípio, queriam remover o útero e 15 cm do intestino. Eu comecei a estudar sobre a doença e busquei outros profissionais, menos radicais. Descobri que a remoção do útero não elimina a doença que, aliás, não tem cura, mas ainda bem, tem tratamento. Descobri que, dependendo da posição e do tamanho do nódulo, não é necessário remover 15 cm de intestino. Comecei a levar as coisas com mais calma, sempre buscando ajuda. Que providências tomei?

Minha cirurgia foi marcada para 26 de junho. Até lá, eu deveria manter a calma e cumprir com todas as minhas obrigações: sou professora, faço doutorado e tenho uma agência de publicidade. Também acredito que muito das nossas doenças são provocadas pelo emocional. Então, busquei me cuidar e mudar o que eu pude na minha vida.

De fevereiro (2017) para cá (julho), resolvi:

  1. Mudar a minha alimentação: diminuí o consumo de carne de boi, porco e frango, e incluí mais vegetal. Continuo consumindo carne, mas com bem menos frequência e quantidade. Troquei o possível por farinha integral e inclui frutas na dieta (nunca tive o hábito). Até passei a frequentar feira! Diminuí bebida alcoólica – sim, sou chegada a uma cachacinha, opa! Resultado: emagreci 4 kg em 3 meses.
  2. Trabalhar de casa: para isso, tive que abrir mão de muitas coisas relacionadas à agência de publicidade. Fechamos a sala no centro da cidade e tomei a decisão de não abraçar o mundo nessa área. Não foi fácil para mim. Resultado: por que não fiz isso antes?
  3. Cozinhar para mim: durante a semana, faço o meu almoço, chás e cuido de minha saúde. Fica mais fácil quando se está em casa. Desde os meus 18 anos de idade, me alimentava na rua por falta de tempo. Resultado: sinto-me mais leve e saudável.
  4. Cuidar da fé: não tenho religião definida, mas respeito e compartilho da maioria. Busquei ajuda e recebi de diversos amigos. Isso ajudou a manter a minha fé, que estava totalmente abalada. Eu tinha muito medo da cirurgia. Resultado: equilíbrio.
  5. Aproximar os amigos mais queridos: aqueles que não falam dos outros, que gostam de cozinhar, cantar, brincar. Eu já estava trabalhando nisso há anos, mas esse último ano foi o ápice. Resultado: mais amor e alegria.
  6. Afastar pessoas negativas: essencial quando se está fragilizado. Não é ser egoísta, aprendi isso, é preservar a saúde para depois poder ajudar. Mas, também tem gente ruim no mundo, e esses devem estar bem longe. Resultado: passo menos nervoso.
  7. Toquei e cantei mais: reuni os amigos para fazer uma das coisas que eu mais gosto: tocar violão e cantar. Para isso, montei uma pasta de músicas sertanejas e foi a melhor coisa que fiz nesse ponto. Resultado: peito cheio de alegria.
  8. Frequentei mais a casa da minha avó: antes, se eu parava uma tarde para isso, eu me sentia culpada por não estar trabalhando. Olha, para quem trabalha quase todos os dias nos 3 períodos, não parar para ver a vó é que deveria ser motivo para culpa! Resultado: felicidade e recebimento de carinho.
  9. Participei mais da família: receber e dar mais carinho. Estar mais com os meus sobrinhos que eu tanto amo! Resultado: mais amor.
  10. Arrumei a casa: aos poucos, eliminei tudo o que não usava em minha casa. Resultado: sensação de limpeza, leveza e organização.
  11. Olhei mais para mim: sem me preocupar com o que os outros estão pensando. Se eu tenho que dizer não, direi. Melhor do que fazer de mal grado e acumular sensação ruim.
  12. Arrumei uma cachorra para fazer companhia: é uma das coisas mais incríveis da vida. É uma vida que te dá muito amor sem você esperar. É ter motivos para voltar para casa feliz e deixá-la querendo voltar. Eu não ficava na minha casa, eu não ocupava o meu espaço. Eu não sabia, mas isso me fazia muito mal. Resultado: nem preciso falar!
  13. Cuidei da parte psicológica: busquei entender mais sobre meditação, técnicas de respiração etc. Resultado: mais autocontrole em momentos tensos.
  14. Passei 2 meses na casa da minha mãe: para sentir proteção quando estava apavorada. Resultado: fiquei mais forte!
  15. Pratiquei pilates e reeducação postural.
  16. Mandei até fazer uma plaquinha para não pressionar os dentes, o que me trazia dores no maxilar e cabeça.

 

Ufa! Acho que eu nunca havia olhado para mim, não dessa forma, com cuidado!

Todas essas mudanças, e mais algumas que eu não me recordo agora, me fortaleceram para que eu chegasse à cirurgia mais confiante e em paz. Com menos dores abdominais, na coluna etc.

Ela aconteceu, durou quase 5 horas e foi um sucesso. Ainda que eu tenha removido um pedaço do intestino, foi bem menos que 15 cm: 4,5. Tirei lesões exatamente dos lugares que eu mostrava aos médicos: um pedacinho do ovário, nódulo na bexiga e canal urinário. Fiquei 4 dias no hospital me recuperando, mas me recuperei muito bem! Tão bem que o médico disse que  eu poderia me alimentar só dois dias após o procedimento, mas duas horas depois, eu já tomava um café com leite e, no dia seguinte, arroz e carne branca. Hoje, completo 10 dias e me sinto ótima! Revisada! Modificada “de corpo e alma”. E eu tenho muito a agradecer, a todos os amigos e familiares que ficaram do meu lado, todos eles sabem que me ajudaram de alguma forma. Mas gostaria, especialmente, de agradecer a duas grandes mulheres que se doaram fisicamente e psicologicamente para me ver bem: Bruna Bellotto ❤ e Solange Postali, minha mãe. É impossível descrever o sentimento de gratidão! Outros amigos me ajudaram demais, demais mesmo! Eles sabem e eu sou eternamente grata por isso. Entendi um pouco mais sobre o que é a vida e as relações humanas. Sou grata por ter pessoas tão especiais em meu caminho.

Enfim, descobri que eu não era fraca para dor, mas sim muito forte! Aguentei isso por mais de 30 anos! Portanto, se você é mulher e sente essas dores, procure especialistas o quanto antes! Se tratar com tempo, talvez nem precise da cirurgia. Se o seu corpo te dá sinais de dor, de que algo está errado, ele é que está certo! Insista com os médicos! Se o médico diz algo que você não concorda plenamente, busque informações e outros profissionais. Mas, lembre-se: se falar com pessoas que tiveram ou têm os mesmos sintomas, cada corpo é um, cada caso é um. Não se apavore e evite apavorar os outros.

Endometriose é algo sério e precisa ser tratado. Infelizmente, o diagnóstico ainda leva anos e depende muito mais de nossa insistência com os médicos e aqueles que estão a nossa volta. Não deixe para depois.

Resolvi escrever este relato para compartilhar, pois só quem tem sabe o quanto é difícil achar informações sobre. Apavoramo-nos porque não encontramos as causas e cura, justamente porque é algo relativamente novo para a medicina. Eu e meu médico apostamos que uma das causas são os alimentos modificados. Mas a ciência ainda não provou. Na dúvida, se alimente bem e mude o que for possível para uma vida mais saudável e mais focada em você.

Thífani Postali

 

Artigo publicado em revista científica

capa tríade

v. 5 n. 9 (2017): Metodologias para análise de narrativas midiáticas: Reflexões sobre teoria e práxis

Thífani Postali, Fabio Nauras Akhras

PDF: Artigo Tríade 2017_Postali Akhras

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Livro: Cidade e Comunicação v2

Capa Cidade e Comunicaçãoa v2_2016.jpgO livro promete e consegue amenizar a miopia cultural de que todos sofremos, graduados e não graduados, no conhecimento e na análise da realidade nacional. Sob qualquer ângulo, o social, o político, o econômico, o País hoje parece bloqueado por ideias superadas, convicções sem lastro sólido, preconceitos de toda ordem, apegos cegos ao que já passou, carência de gente capaz de enxergar e executar um futuro melhor. Predominam muitas nuvens a encobrir a visão direta e objetiva da sociedade que somos. Seríamos todos, culturalmente, míopes? (Aldo Vannucchi)

vol. 2/Paulo Celso da Silva; Thífani Postali. Jundiaí, Paco Editorial: 2016.
172 p. Inclui bibliografia.
ISBN: 978-85-462-0527-1
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Artigo publicado em livro – 2017

Artigo: COMUNICAÇÃO, TRABALHO E TERRITÓRIO: UM ESTUDO SOBRE A FUNKEIRA MC VÉIA
As pecapa book chile 2017squisadoras paulistas Miriam Cristina Carlos Silva e Thífani Postali trataram do tema Comunicação, trabalho e território: um estudo sobre a funkeira mc véia, no qual a cultura e a identidade são vistas como híbridas, oferecendo a possibilidade de retornar o cotidiano de desencontros e dificuldades vividos pela personagem nos territórios de favela carioca.

ISBN:
978-85-62263-03-3
Publicado em 2017.

Download do livro:
Ebook-chile-finalizado-2017-170125210048

Artigo publicado em livro

capa Nami_ Eduardo CoutinhoArtigo: O CINEMA DE EDUARDO COUTINHO COMO NARRATIVA
DE CONSCIENTIZAÇÃO SOCIAL: uma análise de Boca de Lixo
Thífani Postali

Link para download: E-book – Eduardo Coutinho em Narrativas

Entrevista – Arte na TV

Lançamento de “Cidade e Comunicação: a miopia sobre o mundo e outros textos.
2014.

Precisamos voltar a cozinhar

       Artigo publicado na Gazeta de Votorantim, em 22 de abril de 2017.

  A razão é a principal característica humana e é responsável por todas as transformações realizadas na natureza pela espécie. O ser humano é o único ser que manipula os alimentos de modo a criar novas combinações e formas para se alimentar. Com a dominação do fogo, o ser humano passou a transformar ainda mais os alimentos, de modo que o ato de cozinhar transformou-se em uma das expressões culturais mais importantes da humanidade, não se restringindo apenas ao ato de se alimentar, mas proporcionando a socialização entre os indivíduos.

            Para muitas culturas, o ato de almoçar e jantar tornou-se um ritual familiar de confraternização. Todavia, com a industrialização e as transformações sociais ocorridas após as revoluções, o crescimento das cidades, populações, tarefas durante o dia, distâncias entre os locais e com o alcance das mulheres ao mercado de trabalho, o ato de cozinhar perdeu alguns de seus significados, abrindo espaço para alimentos transgênicos e industrializados.

            Ocorre que muitas vezes desconhecemos o que estamos ingerindo, principalmente quando nos referimos aos produtos enlatados, que hora ou outra aparecem em escândalos sobre contaminações. Em decorrência dessas e de outras situações, muitas pessoas adoecem sem ao menos saber a causa de seu problema, pois por atender o capital, os veículos de comunicação pouco falam sobre as consequências dessa alimentação com produtos processados ou modificados.

            Obviamente, sabemos que com o ritmo desse modelo social, torna-se impossível não se deparar vez ou outra com esse tipo de alimento. A questão é que devemos voltar a achar graça nas verduras não tão apresentáveis, diferentes daquelas que se assemelham aos enfeites de plástico da cozinha; o mesmo cabe aos legumes, às frutas etc. Devemos, quando possível, voltar a achar graça na cozinha como forma de reunir a família e os amigos e, assim, reunir os companheiros para compartilhar o pão! Desta forma, quem sabe, resistiremos de modo saudável aos alimentos avassaladores do mercado industrial, resgatando o que há de mais importante na vida humana: saúde e sociabilidade. Homens, mulheres, crianças, jovens: cozinhem!

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Entrevista para a Rádio Fritura

Entrevista para a rádio Fritura, 17 de abril de 2017.
Games, Cinema e Hip Hop.

Isso não é humor: Danilo Gentili e as migalhas do riso

Artigo publicado na página A2, Jornal Cruzeiro do Sul em 04/04/17.

Isabella Reis Pichiguelli,com Thífani Postali

O humor não está em toda piada que faça rir. O aspecto constituinte do humor está na parte de dentro, no espírito. Humor que é humor está sempre direcionado à quebra de barreiras, tabus, status quo. Mikhail Bakhtin ensina que a maneira do riso para tanto é sua ambivalência: tem um lado positivo e um negativo, inseparáveis. Ao mesmo tempo, o riso destrói e reconstrói, mata e ressuscita, desintegra e une. Não é dirigido especificamente contra nada ou ninguém. É de todos e para todos. O humor sempre leva à renovação dos estados das coisas, do mundo.

Por isso, humorista que é humorista não usa o humor como desculpa para falar o que e do jeito que quiser. E sabe que se lhe faltar o princípio positivo do riso, o outro é apenas migalha, resto que pode até gerar risada, mas nada mais. Sabe que se lhe faltar o poder de restauração, lhe falta o próprio humor. No entanto, há os que não são humoristas. Trabalham com a linguagem do humor, mas não fazem humor.

É fato que há muito o que cause risadas sem ser humor. Henri Bergson aponta que só rimos do que não nos afeta emocionalmente. Sem o aspecto positivo do riso, a unidade, o riso de todos e para todos, só é possível rir do que não se conhece. É por essa razão que predominam, no conteúdo daqueles que dizem fazer humor mas não o fazem, as ofensas e os discursos de senso comum, posto que estes são baseados na falta de empatia e em estereótipos que reduzem pessoas e ideais a rótulos, cujos solos férteis são os que possuem dominação sobre os demais e a buscam preservar.

Um exemplo desse humor que não é humor é o “”humor”” de Danilo Gentili, apresentador do The Noite no SBT. Na maioria de suas “”piadas””, exacerbam-se os preconceitos contra grupos distantes de sua realidade. Assim, obviamente, quem compactua com seus discursos é quem não se vê no conteúdo e que contribui com um tipo de discurso que tem como função manter a ordem dominante. São discursos de Gentili: “”Entendo os velhos de Higienópolis temerem o metrô. A última vez que chegaram perto de um vagão foram parar em Auschwitz””; “”O cara esperou uma gostosa ficar bêbada pra transar com ela. Todos sabemos o nome que se dá pra um cara desses: gênio””; “”Sério @LasombraRibeiro vamos esquecer isso… Quantas bananas vc quer pra deixar essa história pra lá?””, em resposta a um internauta negro; “”E esse dado da Ong Gay aí que “1 gay é morto a cada 26 hs”? 140 heteros são mortos a cada 24 hs. Alguém aí come meu c… hj? Só por segurança.”

Em entrevistas, Gentili sustenta que quem não ri de suas piadas é porque não possui senso de humor. Também crê que seu humor corrobora com a maioria da sociedade, ajudando a ir contra “”o que uma minoria tenta apascentar para que a sociedade toda viva de acordo com a agenda política deles””. Ou seja, ele não possui conhecimento sobre o que fala, o que reflete em seu trabalho. Mesmo que defenda que seu humor é autodepreciativo e contra o status quo, suas narrativas apontam para o contrário: quando se autodeprecia, não é taxativo como com outros grupos sociais, fazendo uso de um humor que não humilha, não o coloca (ou a seu grupo) numa situação inferior aos demais grupos.

Em suma, muitos comediantes têm se apropriado do humor esvaziando, de certo modo, o seu propósito. Acreditamos que num momento de grande tensão sobre os assuntos que envolvem aspectos político-sociais, o humor transformou-se com mais força em ferramenta de dominação e poder, em que aquele tem mais poder — visibilidade –, se presta a favorecer os discursos dominantes. E esses sim são minoria, caro Gentili.

Link para a página do Cruzeiro: http://www.jornalcruzeiro.com.br/materia/776954/isso-nao-e-humor-danilo-gentili-e-as-migalhas-do-riso

O Carnaval que foi mais popular

Artigo publicado na Gazeta de Votorantim, março, 2017.

Por muitas décadas, o carnaval do Rio de Janeiro serviu como manifestação cultural que tinha por finalidade a comunicação de resistência. Era o evento que fazia o povo aparecer em vários aspectos, da simples ocupação no espaço televisivo que era quase nulo, sobretudo, aos negros à toda rica cultura que emerge das margens, como os sambas que clamavam a cultura e os problemas dos morros, compostos por sambistas locais.

            Já em 1975, José Ramos Tinhorão publicou na
revista O Cruzeiro um artigo que chamava a atenção para o fato de que o carnaval estava se transformando em uma manifestação estrangeira. O teórico falou sobre a entrada das empresas no evento e a redução das manifestações culturais populares ao desejo dos patrocinadores. O carnaval carioca foi se calando com parte de seus sambas encomendados a outros músicos que não os locais e que, portanto, trabalhariam temas de interesse do capital, bem como as fantasias passaram a ser desenhadas por profissionais da elite, esta que também desfilaria pela avenida.

            Em 2017, pudemos observar uma significativa mudança em alguns discursos carnavalescos. A escola Imperatriz Leopoldinense, com o tema Xingú, provocou o agronegócio em defesa das florestas e dos índios, ao passo que a Mangueira, assim como a Imperatriz, levou para a avenida e para todo o Brasil – através da Rede Globo, o tema da religiosidade africana tão presente em nosso país, mas pouco abordado de forma positiva pela grande mídia brasileira.

            Parece que a diminuição de patrocinadores em decorrência da crise que afeta o Brasil devolveu ao povo a liberdade para falar sobre o que deseja e sobre aquilo que realmente é parte cultural do povo, de maneira mais livre. Os sambas-enredos das duas escolas afrontam os discursos dominantes, de modo a provocar discussões e reflexões sobre temas pouco abordados pelos grandes veículos, especialmente, aqueles que têm exclusividade para a transmissão da festa. O carnaval de 2017 fez valer a cultura popular de resistência, devolvendo um pouco de esperança sobre o uso de manifestações culturais como forma de resistir frente às omissões e imposições dominantes.Gazeta_mar_2017

Colaboração em matéria – Jornal Diário de Sorocaba

Estrangeiros aproveitam carnaval e contam impressões
Por Bruna Camargo

Eles vieram de países distantes e falam diferentes línguas, mas uma coisa têm em
comum, viveram em Sorocaba durante um ano e experimentaram a sensação de estar em uma das festas populares mais conhecidas do mundo, o carnaval brasileiro. Em meio a estereótipos perpetuados ao redor do globo, cinco jovens de distintas etnias descrevem o choque com o que observaram na cultura brasileira e as lembranças que levaram para casa.

MÉXICO – Chegando ao Brasil após não ter muita escolha sobre o país ao qual seria enviado pelo programa de intercâmbio do qual participou, Daniel Estrada Ortega, 20 anos, estudante de Administração, morou com quatro famílias, das quais três são de Sorocaba e uma de Araçoiaba da Serra. “Fui para a escola e fiz bastante amizade. No começo, foi um pouco difícil, porque eu não falava nada de Português, mas depois aprendi até o sotaque sorocabano”, revela. O programa possibilitava conhecer e fazer atividades com vários outros intercambistas que estiveram em Sorocaba no mesmo período. “Aprendi muita coisa. Quando você vai para um país diferente, não tem noção do que vai experimentar. Isso se torna uma coisa muito interessante, que dá muita sabedoria no final”, expressa.

Em solo tupiniquim, Ortega conseguiu uma bolsa de estudos em uma academia de dança, o que mostra sua ligação com as artes e a admiração ao conhecer o carnaval. “Vimos o desfile que teve em Sorocaba. Foi pequeno, mas muito legal.” Não há celebração equivalente em Chihuahua, no México, de onde ele vem. “Foi cheio de cores e os figurinos aparentam ser muito pesados; mas o mundo inteiro dançando e cantando.” Já em São Paulo, o mexicano pôde comparar a dimensão da festa. “Nunca imaginei que fosse tão grande. Os carros que passam são gigantes e as ruas são lotadas de pessoas. Amei isso, porque é um dia que todo mundo fica junto celebrando a mesma coisa e só tem cor e alegria”, aprecia.

DINAMARCA – Deixar terras nórdicas para enfrentar o calor brasileiro durante um ano foi o desafio encarado por Nadia Møller Hansen, 21 anos, que pretende começar um curso universitário neste ano. “No começo, foi muito difícil, eu sentia muita saudade da minha família e do meu namorado, mas minhas famílias hospedeiras ajudaram-me”, conta. A cultura representou um impacto desde o início. “NaDinamarca, as pessoas não são muito abertas, mas no Brasil sim, e isso me impressionou. De repente, eu me sentia parte do lugar”, anima-se. “A cultura é muito diferente, mas de um jeito bom.” Nadia considera a experiência como a melhor da sua vida e se lembra de visitar diversas
cidades do País. “Mas Sorocaba foi, sem sombra de dúvida, um dos melhores lugares
em que já estive. É grande, e eu amei. Há muitas atividades para fazer e muitos lugares para experimentar. É uma cidade com vida e alma”, elogia. Presenciando desfiles em Sorocaba e em São Paulo, Nadia afirma ter sorrido o tempo todo. “Foi incrível só de assistir, meio irreal”, comenta. “Foi muito diferente, porque na Dinamarca isso nunca aconteceria. Pessoas fantasiando-se e se juntando é incrível, e o Brasil deve sentir orgulho de ter coragem em fazer tal coisa, o que me lembra de uma palavra que uso sobre o país, ‘união’.” Nadia diz nunca ter acreditado no que via na televisão sobre a festa, mas se surpreendeu com o que encontrou. “Pessoas quase ‘peladas’ na ru foi um grande choque para mim. Mas não é algo ruim, apenas mostra as diferenças entre Dinamarca e Brasil, que eu realmente gosto.”

Há um grande carnaval no norte da Dinamarca, mas a intercambista diz não ser nada similar ao brasileiro. “Aqui, é estar com os amigos e beber. Não é para celebrar nada, é apenas um evento”, esclarece.
“Alguns se vestem feito loucos, outros não.” Quando informada de que algumas cidades brasileiras estão cancelando desfiles de carnaval por conta da crise econômica, a dinamarquesa espantou-se. “O quê? Não podem fazer isso”, exclama. “Quando alguém fala sobre o Brasil, o carnaval já vem à mente. Ele mostra a cultura e a união tão bem. É um chamariz e pessoas  de todo o mundo viajam só para ser parte disso.”

EQUADOR – O país não faz fronteira com o Brasil, mas Domenica Tamayo, 20 anos, saiu da capital Quito para conhecer o País considerado vizinho em 2013. Agora, ela é estudante de Direito, mas durante um ano aprendeu a língua portuguesa e viajou muito com as três famílias com as quais se hospedou. “Fui para o Rio, Natal, Foz, Salvador, Minas Gerais, Porto Alegre e Fortaleza”, lista. Domenica achou o carnaval bem diferente. “Fui para o Desfile das Campeãs no sambódromo de São Paulo e achei muito legal, porque ficamos a noite toda; saímos de lá às 7 da manhã”, relata. Domenica lembra-se de observar os carros alegóricos e as dançarinas. “Os carros eram gigantes e as garotas fazem a dança com o salto gigante e os vestidos muito coloridos.” A imensidão de cores foi uma das coisas que mais impactou Domenica, que pôde sentir-se contagiada. “Eles fazem a gente dançar e se divertir muito.” Outra surpresa foi a descoberta de que se leva um ano para preparar o desfile, durante uma visita ao Rio de Janeiro. “Acho isso bem diferente.” Já durante o passeio aNatal, no Rio Grande do Norte, a equatoriana esteve em  uma festa à fantasia na praia. “A gente usou decorações e roupas diferentes”, lembra. “A gente comemora sim, o Carnaval, mas não é como no Brasil, que é uma festividade importante”, observa. “No Equador é feriado, mas principalmente nos povoados pequenos; a gente tem o costume de jogar ovos, farinha e água”, explica. “É muito engraçado, mas não sei por que a gente faz isso”, brinca.

Paula Navas, 21 anos, estudante de Marketing, também é equatoriana, mas de Ambato. A escolha pelo Brasil veio através da prima, que visitara o País e lhe falou muito bem da comida, costumes, pessoas e lugares. “Gostei muito de Sorocaba, porque minha cidade tem a metade da população”, menciona. “Foi a melhor coisa que fiz.” Em visita a São Paulo, achou o desfile das escolas de samba longo, mas considera toda a celebração importante para a cultura brasileira. “O carnaval é uma identificação e, por isso, muitos estrangeiros gostam de ir para lá e dançar Interessado em dança, Daniel Estrada Ortega, 20 anos, aproveitou a música direto do desfile Domenica Tamayo, 20 anos, conheceu oito Estados brasileiros antes de chegar à avenida.

ESTADOS UNIDOS – O americano Dylan Speicher, 20 anos, deixou Hershey, na Pennsylvania, e demorou para se acostumar com Sorocaba. “Achei muito barulhenta, muito trânsito, muito corrida e é grande”, descreve. Com a amizade dos brasileiros, adaptouse à nova moradia e enfrentou a dificuldade de aprender o Português. “Foi frustrante, mas a dificuldade pode te fazer melhor e vale a pena.”
Speicher é muito grato a todos os brasileiros que o receberam e diz partilhar uma profunda conexão com o País. “É algo que eu nunca vi antes. Aproveitei tudo. E faria de novo, talvez em outra cidade do Brasil.”
Agora estudando Finanças em Washington D.C., Speicher recorda-se do Desfile dos Campeões em São Paulo. “Muita música incrível, dança e carros alegóricos fantásticos”, exclama. “Foi legal acenar para as dançarinas, porque elas acenavam de volta. As pessoas da plateia pareciam felizes, e eu estava muito feliz.” Festejar durante o carnaval foi a interpretação pessoal do estudante, mas algo ainda o incomoda. “Acho que nunca
entendi o que realmente está sendo celebrado, se a festa faz sentido”, divaga.

ALÉM DO ESTEREÓ- TIPO – A dúvida de Dylan Speicher é recorrente e questionada não apenas por estrangeiros, como também pelos próprios brasileiros. Muitos não estão familiarizados com as raízes do carnaval e as diversas representações da festa em todo o País.
Thífani Postali, mestre em Comunicação e Cultura pela Universidade de Sorocaba, conta que o carnaval é reduzido ao carioca, pois é o que chega, através da televisão, para muitas pessoas. “O carnaval é antigo, iniciou-se na Grécia e ganhou o mundo por Paris.
Existe em diversos locais, mas, assim como a cultura é diversa, cada povo traduziu a festa aos seus moldes”, explica. A professora reconhece a beleza da celebração carioca,
mas entende que possui fins mercadológicos. Em seus estudos, analisa que a expansão da festa às camadas sociais mais abastadas a descaracterizaram, incorporando roupas de
estilistas renomados e enredos distantes da realidade das escolas de samba. “Acaba limitando um pouco a sua expressividade como cultura popular”, lamenta.

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Jornalismo enlatado: o que devemos consumir?

Artigo publicado em 10/01/17 – Cruzeiro do Sul

A padronização e a influência das produções midiáticas são temas que levantam discussões acaloradas desde o início do século passado. Muitas produções apresentam fórmulas simplificadas, que oferecem um desfecho já previsto pelo público. Esse padrão ocorre porque as grandes corporações sabem que seguir modelos facilmente aceitáveis produz rentabilidade. Isso significa que, quanto mais se trabalha em cima de padrões, maior a chance de agradar ao público, ou seja, de atrair ou manter a audiência.

Audiência. Esse é o segredo! A grande mídia, obviamente, precisa de lucro para sobreviver; verba que advém, em grande parte, dos anúncios publicitários ou de propagandas que procuram os veículos ou programas que têm maior público. E como cultivar o público?
Se a intenção do veículo é garantir audiência, o segredo está em abordar temas que sejam comuns para a maioria, independentemente de classe ou grupo social, raça, etnia, gênero e idade. Sendo assim, Edgar Morin lembra que os temas mais manjados são aqueles que envolvem relacionamentos amorosos e violência, situações genéricas em que boa parte do público consegue se identificar. Ocorre que fica simples de entender quando pensamos em entretenimentos que se resumem em mocinho-vilão-mocinha, ação-reação, causa-efeito, problema-solução, tensão-alívio. Todavia, quando partimos para as produções jornalísticas, acreditamos estar diante de verdades e sem intenções comerciais.

Assim como o entretenimento, boa parte do jornalismo dominante apresenta-se como produto de fácil consumo para a maioria. Ao referir-se à televisão, Bourdieu esclarece que os fatos-ônibus, ou seja, as variedades dos noticiários, apresentam conteúdos genéricos e padronizados para garantir a audiência e o lucro. Logo, esse formato contribui para ocultar o que seria de maior relevância social para o público, já que os profissionais, além de serem pressionados para produzir o genérico, são também pressionados pelos políticos para fomentar ou abafar escândalos. Isso sem contar os veículos que, como empresas, possuem em seus produtos apenas as suas próprias intenções.

Outro ponto importante a ser tocado é que enganam-se aqueles que acreditam que este ou aquele veículo é imparcial. Todos os produtos carregam um ou vários olhares que podem ser iguais — ou não — sobre um fato. Das técnicas de filmagem e edição à escolha das fontes para dar credibilidade à informação, pode haver muito significado. O destaque de uma matéria, o pequeno recorte dado a outra, o sorrisinho irônico do jornalista ao final da apresentação, enfim, uma infinidade de possibilidades que podem influenciar a opinião pública e que determinam que assuntos devem ser considerados no lugar de outros. E essas situações já foram bastante refletidas à luz das teorias da comunicação. Lembrando que muitos estudos desenvolvidos no século passado não estavam preocupados em desvendar os truques da mídia, mas desenvolvê-los ainda mais para utilizar a opinião pública para favorecer os interesses daqueles que tinham mais força.

Em suma, deixar de ler ou assistir a este ou àquele produto só contribui para que o receptor feche ainda mais suas ideias. O ideal é buscarmos informações em diferentes veículos e, com preferência, naqueles que apresentam contrapontos. A leitura de outros que são extremos também colabora para o exercício da reflexão. Fora isso, temos hoje a possibilidade de acompanharmos produções locais, regionais, internacionais e independentes. O segredo está em não deixar de consumir os enlatados, mas acompanhar com atenção e desconfiança.

Link para página: http://www.jornalcruzeiro.com.br/materia/756748/jornalismo-enlatado-o-que-devemos-consumir

Cobertura – Lançamento de livro

rtigos publicados no Cruzeiro viram livro

07/12/16 | Equipe Online – online@jcruzeiro.com.br

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Lançamento de Livro

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Representação social, política e a importância das ciências sociais

Artigo publicado no Jornal Cruzeiro do Sul, página A2,  em 28 de junho de 2016

Num momento em que as tecnologias da informação permitem que o receptor também se torne produtor de conteúdo, o conhecimento tornou-se ainda mais emergente. Com os últimos acontecimentos na política brasileira, é possível perceber, nas redes sociais, uma quantidade de pessoas que buscam expor suas ideias; o que julgo necessário para a reflexão a partir de diferentes pontos de vista. Por outro lado, há também um número significativo de indivíduos que procuram impor suas opiniões, em muitos casos, debochando daquelas que são contrárias às suas. Infelizmente, as manifestações mais taxativas vêm carregadas de ódio e, sobretudo, apontam como muitos indivíduos são desprovidos do conhecimento mínimo sobre a sociedade em que vivem.

Tomemos como exemplo a discussão sobre a falta de representação da diversidade na política. Nossa sociedade é formada por diversos grupos sociais que têm diferentes experiências de vida. Antes de tudo, importa esclarecer que as nossas ideologias são uma mescla de ideias formadas pela nossa família, grupo social, classe social; são transformadas ao longo do tempo pela nossa formação, nossos grupos de filiação, pelos jornais que escolhemos ler, filmes, publicidades, propagandas e programas que mais gostamos. Deste modo, somos diversos além de podermos ser mutáveis nas ideias, já que passamos as nossas vidas em contato direto com os outros, seja através de experiências ou leituras.

A visão sobre o mundo de uma pessoa que nasceu e vive em favelas e periferias pode ser muito diferente de uma pessoa que nunca experimentou a pobreza e a violência; um homem que convive em um ambiente que não discute as questões sobre gênero, muito provavelmente, não enxergará o sentido nas falas sobre as desigualdades de gênero; um branco que é acostumado a ler apenas conteúdos escritos por brancos, que consome produtos midiáticos que apresentam o “lugar de cada um” na sociedade e que frequenta lugares onde a maioria é branca, sem a ajuda do conhecimento e do diálogo, dificilmente entenderá a importância da luta pela consciência negra e pelos direitos dos negros nas sociedades pós-escravagistas; uma pessoa que não tem contato com homossexuais, seja na família ou no convívio social, se não buscar o conhecimento, estará fadada a entendê-los como pessoas “anormais” que devem ser tratadas; o deficiente físico também terá outra visão sobre diversos assuntos pouco discutidos, basta levar em consideração o quanto demoramos para ter leis de acessibilidade e que, ainda assim, são bastante falhas.

Portanto, as sociedades são diversas e a alteridade torna-se fundamental para a prática da democracia. O termo sugere que reconhecer o outro, aquele que é diferente de mim, do meu grupo, levando em consideração as suas peculiaridades e diferenças e também suas equivalências, faz com que os indivíduos tornem-se menos etnocêntricos, podendo, assim, diminuir os conflitos sociais. Deste modo, ter representantes políticos que sejam de diferentes grupos sociais contribui para que medidas sejam tomadas de forma mais justa, levando em consideração o todo, ou uma melhor parte do todo. Lembre-se: o que para você pode não ser importante, para outra pessoa pode significar muito! Posto assim, o conhecimento básico sobre as ciências sociais torna-se fundamental para o exercício da cidadania e democracia, levando em conta que a democracia tem como base o governo para todos. É preciso ter bom senso no lugar do senso comum, principalmente depois da invenção da internet, que não permite mais a desculpa do “desconhecimento”. Ter “opinião” requer leitura, argumentação, caso contrário, é reprodução irreflexiva.

Link para a matéria: http://www.jornalcruzeiro.com.br/materia/710886/representacao-social-politica-e-a-importancia-das-ciencias-sociais

Um convite à consciência negra

Artigo publicado na Gazeta de VOTORANTIM. De 07 de 13 de maio de 2016
Mais de um século depois do fim da escravidão, o assunto sobre preconceito étnico parece não estar resolvido nas sociedades que aplicaram o regime existido até quase o fim do século 19. Nas escolas, o tema é abordado, mas, muitas vezes, de forma irreflexiva. Fala-se do período de forma pontual, fria e distante, sem apresentar os motivos, as opressões, as ideologias da época e o esforço predatório para dizimar as culturas indígenas e africanas.
O problema é que quando nos sensibilizamos com a história da escravidão, o discurso que segue é sobre o seu fim, como se a abolição tivesse dado o ponto final nos problemas ocorridos. Com o falso alívio, deixamos de refletir sobre os efeitos do evento, contribuindo com a negligência aos reparos sociais necessários.
A abolição foi a maquiagem da escravidão no plano do discurso, todavia, na prática, continuou o regime de opressão ao negro que, não servindo mais como objeto de trabalho, foi abandonado em meio a uma sociedade que, do ponto de vista ideológico, tirou dos africanos o bem mais precioso: o seu reconhecimento enquanto ser humano dotado de experiências e culturas – leia-se espiritualidade, sabedoria e conhecimento. Reduzidos a “coisas”, os povos africanos tiveram que reconstruir suas histórias e reerguer suas culturas com o pouco do que havia sobrado – já que a maioria das expressões africanas que não interessavam ao trabalho foram-lhes proibida.
Literalmente deixados de lado pela classe dominante da época- nas periferias e favelas, iletrados – com raras exceções – sem acesso aos estudos e, consequentemente, com poucas chances de conseguir empregos diante de uma sociedade tomada pela ideologia da superioridade e inferioridade “racial”, o Brasil produziu uma massa de pessoas carentes de tudo o que é mais básico para sobreviver com dignidade em sociedade. Portanto, é um problema esquecer que isso ocorreu há pouco tempo e, pior ainda, sustentar que os discursos contra o preconceito étnico e medidas para reduzir o problema são desnecessários ou, quando esses são vindos do grupo oprimido, dizer que são discursos de “vitimização”.
Assim, para discutirmos sobre o preconceito, cotas nas escolas e universidades, melhores oportunidades de trabalhos, criminalidade, representação do negro na mídia, etc., não temos que entender só a escravidão, mas, sobretudo, a sociedade pós-escravagista. A nossa.
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Música e sexo: um caso além do funk

Artigo publicado no Jornal Cruzeiro do Sul, página A2,  em 03 de maio de 2016

Muito se fala que o funk é um tipo de prática musical depravada e que, portanto, não merece o reconhecimento como expressão cultural. Também é comum ouvirmos que, apesar de sua origem estadunidense, não possui absolutamente nada relacionado à cultura de origem. E aqui já temos dois equívocos.

Primeiro que, se formos considerar a cultura em seu sentido antropológico, toda e qualquer expressão humana deve ser considerada cultural. Segundo, que a musicalidade afroestadunidense sofreu diversas transformações, em seu próprio território e em outros que importaram essa cultura.

No Brasil, a partir dos anos 90, o funk ganhou visibilidade através dos meios de comunicação, mas o recorte feito pela mídia apresentava e ainda apresenta uma música associada à criminalidade e ao sexo. Hoje, também, dá ênfase ao “Funk Ostentação”, cujo conteúdo aborda o consumo de grifes, bebidas, baladas e status bem, nada diferente do que as publicidades vivem despejando em nossa sociedade, e o “Funk Putaria”, que discorre sobre a pornografia.

Deste modo, sua história não é recente e envolve severas críticas, vindas de distintos segmentos sociais, sobretudo, quanto ao seu conteúdo inapropriado. Todavia, existem diversos tipos de funk, inclusive uma vertente pouco difundida, o “Funk Consciente”, como o de MC Garden, que, assim como o Hip Hop, procura chamar a atenção para os problemas sociais que afligem os jovens e a sociedade brasileira. A música “Isso é Brasil” ganhou notoriedade nas redes sociais durante as manifestações ocorridas em 2013. Mas, mesmo assim, não foi “apadrinhada” pela grande mídia.

É fato que a expressão musical recebeu uma configuração brasileira, mas sua origem está atrelada ao ritmo estadunidense soul, que, segundo Herschmann, trata-se da união entre os ritmos gospel e rhythm and blues, que em meados de 1960 conquistou visibilidade mundial a partir de Ray Charles e James Brown. O termo funky surgiu nesse período, decorrente de um sentimento de alegria e de “orgulho negro”, passando a significar uma vertente da música ainda capaz de produzir uma sonoridade que representasse a negritude. No Brasil, o funky se transformou em funk, um estilo musical marcado pela dança e atitudes de alguns grupos de jovens que habitam as periferias, principalmente, das metrópoles Rio de Janeiro e São Paulo.

Outra manifestação musical que em muitas letras aborda o sexo é o blues. Os bluesmen discursavam sobre relacionamentos conturbados e sexo sem pudores. E esse foi um dos motivos de também ser considerado, no início do século XX, uma música ofensiva e desprezível. Robert Johnson, em “Phonograph Blues”, cantava o sexo através do gramofone, e, em “Terraplane Blues”, relacionava o sexo a peças de automóveis. Essa visão só mudou com a internacionalização do ritmo e a sua assimilação à música de lamento, como o rock ficou para a rebeldia e o jazz para música erudita apresentada pelo cinema.

Outras vertentes musicais também abordam o sexo de forma explícita. Da música clássica a toda conotação sexual do rock and roll, do pagode ao axé, em que uma geração desceu até a “boquinha da garrafa” quando criança, da música pop ao sertanejo e esse último que o diga! O chamado sertanejo universitário discorre sobre sexo e muitas composições envolvem elementos do funk putaria.

Portanto, a combinação entre sexo e música é caso antigo. O que difere é a forma como consumimos e valorizamos as expressões musicais. Ainda olhamos para elas sem o conhecimento de seu todo, acatando tudo o que determinam os principais veículos de comunicação. Nas emissoras de rádios mais comerciais, as “top mais” de sertanejo, pagode e funk; nas demais, o bombardeio da música pop internacional. Já parou para pensar no conteúdo das músicas de Rihanna, Miley Cyrus e outros “top”?

Link para a matéria: http://www.jornalcruzeiro.com.br/materia/696358/musica-e-sexo-um-caso-alem-do-funk

Dê um twist na Pepsi: Quando a publicidade se torna propaganda fascista

 Artigo publicado no jornal Gazeta de Votorantim, em 02/04/2016, página 10.

A área da publicidade é especialista em utilizar contextos sociais para produzir suas campanhas. Isso porque, os profissionais buscam aproximar ao máximo a marca do consumidor, o que se tornou indispensável em tempos de concorrência exacerbada. Assim, é comum encontramos campanhas que reproduzem frases, gírias e jargões existidos no cotidiano, principalmente após o uso da internet, com suas facilidades de acesso e pesquisas. Por outro lado, a mesma facilidade de comunicação faz com que esses profissionais tenham que tomar mais cuidados sobre aquilo que produzem, pois as respostas podem surgir de modo instantâneo, diferente do século passado.

Se buscarmos peças do passado, conseguimos, sem muitos esforços, perceber um número exagerado de publicidades conservadoras e autoritárias, sobretudo quando representavam alguns grupos sociais denominados “minorias”. Hoje essa representação parece perder força, visto que muitos textos explicativos estão à disposição na internet que permite o acesso e a distribuição de reflexões até pouco bastante abafadas. De modo geral, publicidade tem como objetivo contribuir para que empresas diversas alcancem ou mantenham seus lucros, ao passo que a propaganda pretende transferir ideias, propagar ideologias – como as propagandas políticas.

Recentemente a marca Pepsi lançou a campanha da Pepsi Twist, que apresenta o diálogo de dois limões, mascotes do produto. Em tom jovial e com gírias, o diálogo segue: “- Caraca maluco, tamo de volta, aí. – Essa latinha ficou animal. – Xiu, não fala assim não, meu irmão, algum animal pode se ofender. – O mundo anda muito sensível.” Ao final do diálogo, surge uma voz off dizendo “Pepsi Twist, se o mundo está chato, dê um twist”. Ocorre que essa peça reproduz uma frase atual e que tem como função desconstruir ou diminuir os pensamentos acerca da sociedade diversa, ofuscando, assim, o bom senso. É, portanto, autoritária! Quando trabalhada dessa forma, a publicidade se transforma também em propaganda que sustenta um discurso fascista bastante presente na zona do nosso Estado. Dizer que “o mundo está chato” porque as pessoas têm buscado refletir sobre as diferenças sociais é, no mínimo, sustentar o discurso do ódio no lugar do desejo de democracia. Em vez disso, deveríamos nos perguntar: Afinal, o mundo está chato para quem?

Gazeta de Votorantim 162 – Pepsi