Citação em artigo – Revista

Citação em  monografia e artigo em Seminário

XIII Seminário de Educação Física Escolar Educação Física Escolar:
sentir, pensar e agir na docência!

Artigo: HIP HOP: MOVIMENTO CULTURAL QUE MOVIMENTA A EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR
Leandro Fontão; Rubens Antonio Gurgel Vieira

Link monografia: http://www.fefiso.edu.br/download/grupo_de_estudos/pedagogia_educacao_fisica/02.pdf

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Citação em Artigo – Ebook UNESP

Citação em Artigo – Ebook UNESP

XII SEMANA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS SOCIAIS
Universidade Estadual Paulista
Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara – SP.

Artigo: MÍDIA, CULTURA PERIFÉRICA E A NOVA AGENDA DA ELITE MÍDIA
Jocimara Rodrigues de Sousa– EACH/USP EACH/USPEACH/

Link para e-book: http://www.fclar.unesp.br/Home/Pos-Graduacao/StrictoSensu/Sociologia/anais-xii-semana-de-pos-graduacao-2013.pdf

Citação em Artigo – Intercom

Citação em Artigo – Intercom 2017

Artigo: Mulheres e resistência: a utilização do rap como instrumento de empoderamento e manifestação folkcomunicacional

Cileide Batista de SANTANA
Daiane de Medeiros LIMA
Andréa Karinne Albuquerque MAIA
Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, PB

Link artigo: http://www.portalintercom.org.br/anais/nordeste2017/resumos/R57-0763-1.pdf

Citação em artigo – Livro chileno

Citação em artigo – Livro chileno

Livro: Folkcomunicación en América Latina: diálogos entre Chile y Brasil

Artigo: El rap como narrativa de la marginalidad y espacio de abertura física e imaginativa. Un dúo hip hopero del sur de Chile y su rol social activo”

De: Rodrigo Cavieres Cárdenas e Cristian Delgado Sepúlveda
Universidad Austral de Chile

Baixar Obra:

http://bibliotecadigital.ufro.cl/bitstream/handle/123456789/12021/Folkcomunicaci%C3%B3n%20en%20Am%C3%A9rica%20Latina.pdf?sequence=1&isAllowed=y

 

Citação em artigo – Congresso UNIOESTE

Citação em artigo
Universidade Estadual do  Oeste do Paraná

BLUES E MANIFESTAÇÃO CULTURAL DE UM GRUPO MARGINALIZADO: UMA POSSIBILIDADE METODOLÓGICA DE ENSINO DE HISTÓRIA POR MEIO DA MÚSICA
Alana Rasisnki de Mello – UEPG2

Link: http://www.congressodorock.com.br/evento/anais/2013/artigos/6/artigo_simposio_7_441_alanarm@hotmail.com.pdf

Citação em artigo- UFCG

Citação em artigo
Universidade Federal de Campina Grande – UFCG

JOVEM E MULHER: UMA ETNOGRAFIA DA PARTICIPAÇÃO FEMININA NO HIP HOP DE CAMPINA GRANDE
Autora: Mércia Ferreira de Lima
Co- autor: Vanderlan Francisco da Silva

Link: http://eventos.livera.com.br/trabalho/98-1020741_30_06_2015_15-29-43_7280.PDF

 

Citação em monografia UF Santa Maria

Citação em monografia UF Santa Maria

BATALHA DOS BOMBEIROS: ELEMENTOS DA CULTURA HIP HOP COMO FERRAMENTA DE RESISTÊNCIA SOCIOPOLÍTICA

De: Amanda Rosiéli Fiuza e Silva
http://repositorio.ufsm.br:8080/xmlui/bitstream/handle/1/2013/Silva_Amanda.pdf?sequence=1

Colaboração em matéria para Huffpost

OPINIÃO

Por que os gays brasileiros devem ouvir a mensagem de Mc Linn da Quebrada

 17/11/2016 15:58 -02 | Atualizado 17/11/2016 15:58 -02
Por Thiago Rizan

 

Não adianta nem pedir que a MC Linn não vai te chupar escondida no banheiro. Nem ela, nem uma porrada de viadas destruidoras que estão tombando com o sistema de castas homonormativo. Pois é, garotes, essa “bixa, preta, loka e favelada” de São Paulo faz parte de um movimento de empoderamento das afeminadas que está explodindo os quartinhos escuros onde elas foram confinadas nos últimos cem anos. Se nos apps de sociabilidade gay só dá “discretos e sigilosos”, nas quebradas fora das telas o que importa mesmo é enviadescer.

Desde o século XIX, quando a homossexualidade foi criada dentro do discurso médico-patologizante, os homens gays afeminados foram alvo de perseguição, sendo ~~convidados~~ a participar de pesquisas médicas enquanto andavam pelas ruas de São Paulo, conforme conta o historiador brasilianista James Green no livro Além do Carnaval: a homossexualidade masculina no Brasil do século XX. Dar pinta era acender um indesejado feixe de luz sobre a própria sexualidade, e assim continuou sendo por todo o século XX.

Claro que sempre houve dissidentes maravilhosos que queriam mais é tacar fogo na porra toda (Santa Cher que nos castigue se um dia esquecermos dos Dzi Croquettes e de Ney Matogrosso, nos anos 70!). Mas, aqueles que não podiam se aproveitar da flexibilidade que certa “excentricidade artística” proporcionava colocava o manto da invisibilidade e escondia a própria maravilhosidade, para não atrair a atenção das inimigas. Not anymore, Satan, not anymore.

Santa Cher mandou enviados especiais à terra onde a cada 28 horas um homossexual morre de forma violenta, segundo dados do Grupo Gay da Bahia, para compartilhar um mandamento sem margem para interpretação: viadas, uni-vos e botai-vos a cara no sol. A tombadora MC Linn está espalhando a mensagem. Em seus funks contundentes e de letras cáusticas, ela berra desestabilizando “a glória da pica”:

Tu se achou o gostosãoAchou que eu ia engolir?

Ser bixa não é só dar o cu

É também poder resistir

O tiro de Linn é certeiro: o que as afeminadas não estão mais engolindo é a subalternização a que são forçadas dentro da própria comunidade LGBT, pelos gays heteronormativos que “acham que podem tudo na força de Deus e na glória da pica”. Em entrevista ao Brasil Post, a cantora sentencia: “Estamos vivendo o fim do império do macho alfa, onde precisávamos nos manter discretas e curvadas diante da grande pica gotejante dos boys; onde o nosso prazer se fazia a partir do desejo dos machos; onde não significávamos nada mais que depósitos de porra; e onde ser afeminada era um problema, uma vergonha”.

Não é à toa que a ambientação do lyric video de Talento se dá em um banheiro público, um famoso espaço de sociabilidade gay desde a década de 30, de acordo com o historiador James Green. “O banheiro foi um espaço crucial na minha trajetória. Era o único espaço possível de sexo pra mim. Lá eu podia transar sem que ninguém ficasse sabendo. Eu me mantinha anônima e segura. Eu não era ninguém”, conta Linn.

Mas aceitar esse anonimato porque o “macho alfa” não quer ser visto se relacionando com uma afeminada? Nunca más! “Percebi o quanto essas relações me violentavam e me mantinham refém de um sexo sem rosto. E como, por ser afeminada, esse tipo de relação se estendia a outros espaços, pois eu só era ‘interessante’ escondida, quando ninguém mais estava vendo.”

Não quero só picaQuero corpo inteiro

Nem com esse papo

Feminina tu não come?

Quem disse que linda assim

Vou querer dar meu cu pra homem?

Ainda mais da sua laia

O uso que Linn faz da música como discurso resistivo ao que é dominante – a valorização do macho alfa e seus signos heteronormativos – ultrapassa as fronteiras dos grupos. A professora universitária e mestre em Comunicação e Cultura, Thífani Postali, comemora: “O funk da Linn utiliza a música para além do entretenimento, como ferramenta de protesto, algo que o hip hop já fazia. É uma música que, se o receptor prestar atenção, provoca alteridade, ou seja, você se coloca no lugar do outro e tenta pensar para além dos discursos dominantes”.

E a capacidade de alteridade a que Thífani se refere não é produzida apenas quando o Outro é o heterossexual preconceituoso, mas também quando ele nem é tão Outro assim. Para Linn, a própria comunidade LGBT, inevitavelmente, se constitui dentro de um sistema heteronormativo, o que é responsável por fazê-la, muitas vezes, reproduzir um comportamento misógino, que deprecia o feminino esteja ele em qual corpo estiver. “A nossa contribuição [das afeminadas] tem sido justamente perceber a riqueza que existe na cultura que produzimos, naquilo que cultivamos, e no afeto entre nós. Estamos construindo um lugar seguro para se estar, e fazendo de nossos encontros não apenas fervo, mas também luta e resistência”, afirma. Para a pesquisadora Thífani, é incrível a possibilidade do uso da internet para compartilhar videoclipes como o da cantora, a fim de provocar alteridade, e completa: “Toda produção é válida quando tem como proposta estar no mundo, estar visível”.

Até mesmo a apropriação e ressignificação de termos como viada, bixa, afeminada e aberração, usados por Linn dentro e fora dos palcos, é um processo de subversão. “Ser bixa e viada é o que me mantém viva e ativa dentro do meu corpo. É também um estado de espírito, é assumir desejos e vontades. Tem a ver com não abrir mão de si mesma e perceber toda força que existe nisso”, garante. “E, na real, esses termos são muito poderosos, pois denunciam a extrema fragilidade da masculinidade compulsória que precisa tentar deslegitimá-los para validar seu poder”. Tá bom pra você, queridã?

E se você, macho alfa, só percebeu agora “a bela aberração” que são as afeminadas… Bom, em Bixa Preta, a Linn tem uma coisinha a te dizer:


Link Matéria: http://www.huffpostbrasil.com/thiago-rizan/por-que-os-gays-brasileiros-devem-ouvir-a-mensagem-de-mc-linn-da_a_21699855/

Artigo postado pelo Geledés

Imagem relacionadaPor que o funk e não o rap?

Link: https://www.geledes.org.br/por-que-o-funk-e-nao-o-rap/#gs.AAe=zL0

Entrevista para jornal impresso

Por Bruna Camargo – Jornal Diário de Sorocaba, em 10/07/2017
FEBRE NA INTERNET

As cidades do entorno de Sorocaba já revelaram youtubers que, atualmente, são bastante conhecidos na Internet. Em uma longa lista de canais de todos os tamanhos, alguns destacam-se pelo humor e persistência. Os donos dos canais “Daniel Murillo Show”, “Mas é o Cúmulo” e “Ander Jackson” contam qual foi o caminho percorrido até milhares de visualizações e curtidas na plataforma de vídeos YouTube.

O RAPAZ DO ‘CASTELE’ – “Toda vez que eu ia no shopping, ouvia alguém gritando ‘castele’”, conta o comediante votorantinense Daniel Murillo, 26 anos, que ganhou destaque quando seu vídeo “Minha Cidade” viralizou nas redes sociais, em 2015. Hoje, o canal “Daniel Murillo Show” tem mais de 6 mil inscritos e 400 mil visualizações.

O primeiro vídeo foi postado no YouTube há cerca de dois anos para tentar alcançar um público ao qual Daniel não chegava com suas apresentações de stand-up. “Tinha algumas piadas para além do palco. Lógico que o excesso de tempo livre também ajudou”, brinca.

Com alguns equipamentos emprestados até comprar os próprios, conseguiu produzir conteúdo original. “Fiz várias tags, mais para parodiar esse formato”, explica Daniel, referindo-se aos vídeos que se tornam correntes com temas repetidos por vários youtubers. O vídeo “Minha Cidade” é um exemplo de tag, no qual ele revela as gírias de Sorocaba, como `castele´, `quaiar o bico´, `porva´ e `xé´. “Fiz porque eram umas piadas que fazia no meu stand up e não iria utilizar mais; então, resolvi registrar. Minha expectativa era alcançar 30 mil visualizações em um mês e teve 100 mil em uma semana”, conta. “Foi muito incrível. porque o pessoal gostou e se identificou”.

O comediante utiliza a plataforma do YouTube como uma forma de aumentar a audiência de seu stand up. “Como a Internet é a nova TV, é o meio principal que qualquer artista tem para se divulgar”, afirma. “Curto mesmo é o show ao vivo; ver as pessoas, ouvir as risadas. Isso vale mais que um vídeo viral”.

O canal, no entanto, não será deixado de lado. Há algum tempo sem postar vídeos, Daniel esclarece que 2017 mudou sua vida e resultou na falta de tempo, mas que voltará à ativa em julho, com duas publicações semanais e exibição de trechos dos seus shows. “Vou usar outros formatos para fazer outras ideias de piadas”, diz o comediante, contando assistir todos os tipos de youtubers para ganhar referência e acredita que pode ganhar espaço em meio a tantas produções. “Na Internet, em geral tem público para tudo. Um bom canal precisa ter um bom conteúdo e saber se divulgar para atingir esse público”, pontifica.

ACERTO NA SEGUNDA TENTATIVA – Quem vê os quase 100 mil inscritos no canal de Abner Wesley, 17 anos, não imagina que, em 2011, o morador da Vila Olímpia, em Sorocaba, já havia tentando o sucesso com o grupo de amigos. Desde os 10 anos de idade, o estudante divertia-se fazendo apresentações na escola através de vídeos. “A gente gravava sobre o tema que o professor pedia, editava e mandava para ele; a sala inteira dava risada”, conta Abner.

Logo, o caminho para o YouTube foi natural. “Éramos viciado em youtubers da época. A gente se reuniu e gravou alguns vídeos, mas a ideia foi cancelada logo em seguida, porque era muito ruim”, lembra. Hoje, seu canal “Mas é o Cúmulo” já tem mais de 2 milhões de visualizações e ganha novos seguidores todos os dias.

Com a decisão de voltar a gravar sozinho, em meados de 2015 Abner teve de escolher um nome para a nova empreitada no YouTube: “Eu não queria dar o meu nome para o canal. Acho que ‘Abner’ é muito difícil de ser lembrado – apesar de existir o Whindersson Nunes”, brinca. “Então, peguei um gibi da Turma da Mônica e um dos títulos da história era ‘mas é o cúmulo’, expressão que eu gostava muito de usar”.

O retorno veio primeiro dos amigos. “Recebi muitos elogios na escola. É claro que tem aquelas pessoas que, por trás, falam mal, porém nunca levei isso como algo ruim, mas uma crítica para melhorar”, garante Abner.

Já a família viu com outros olhos. As conversas refletiam a preocupação com os estudos e como a vida na Internet poderia interferir nos mesmos. “Os planos deles para mim eram outros”, conta. A situação mudou após os parentes observarem os resultados positivos.

Abner afirma ainda ter entrado no YouTube no momento em que o tipo de vídeos que fazia estava em alta, o que o ajudou a ganhar atenção. Sua preparação envolveu inspirar-se nos youtubers já conhecidos, como Júlio Cocielo, Felipistando, Carolinne Silver e Mítico Jovem, e assistir outros canais. “Na verdade, observei tudo que não deveria fazer”, admite, rindo.

A Internet oferece uma carreira promissora para o jovem, que se empenha em fazer sua visibilidade crescer. “Tenho um planejamento de postar, pelo menos, dois vídeos semanalmente, pois assim você não cai no esquecimento”, explica. “Saber a opinião do público também é muito importante, por isso sempre peço”.

O segredo de um bom canal, conta Abner, é conseguir cumprir o objetivo do seu conteúdo. “Se for de comédia e ele tirar um sorriso das pessoas, aquele canal é bom”, exemplifica. “Na verdade, faço o conteúdo que eu gostaria de assistir”.

O público do “Mas é o Cúmulo” tem ficado satisfeito e passou a reconhecê-lo; Abner costuma ver meninas olhando e cochichando quando passeia. “Tiram fotos minhas pensando que não estou vendo”, ri. “Da última vez, o flash do celular estava ligado. A menina ficou toda sem graça”.

Para o futuro, o jovem tem planos de investir em uma marca para atingir as pessoas que não acompanham a Internet. “Pretendo levar (o YouTube) como profissão inicial para poder investir em outros meios depois”.

DAS BRINCADEIRAS PARA AS PARÓDIAS – O canal é recente, o número de seguidores ainda não é tão alto e poucos vídeos foram postados. No entanto, o agendador de serviços Ander Jackson, 22 anos, está com todo o gás e empolgação para ganhar seu espaço como youtuber. “Sempre postei vídeos no Instagram ou nas histórias do Snapchat. Veio a ideia de postar no Facebook e, para acompanhar o ritmo, cheguei até o YouTube”, explica.

Com o celular que lhe oferecia boa qualidade de vídeo e conhecimentos de edição, decidiu se arriscar. Morador do bairro Wanel Ville 3, em Sorocaba, Ander é conhecido por ser naturalmente engraçado, mas ficou confuso no início das gravações: “Não sabia o que falar e nem como fazer”, revela. “Mas devemos ser nós mesmos e me inspirei em como minha vida estava na época, com muita gente falando das redes sociais das pessoas”.

Após alguns vídeos em que conversa com a câmera de modo espontâneo e cômico, Ander passou a publicar paródias musicais no canal que leva seu nome: “Escutando músicas normais, sempre acabava fazendo uma paródia de brincadeira. Decidi compartilhar com a galera que me segue”.

“Despacito” tornou-se “Tô póbrito”, “Bad Liar” ficou “Me trai” e “Shape of You” virou “Eu odeio meu cabelo ruim”. O jovem escreve a letra, busca a versão instrumental da música e grava sua versão; o processo leva cerca de dois dias. O investimento financeiro fica entre R$ 30 e R$ 40 para impulsionar os vídeos no Facebook. “Ultimamente, tem saído mais paródia para aproveitar o público das músicas novas”, explica.

Para Ander, ser autêntico é essencial na Internet. “Tentar ser outra pessoa não vai gerar um bom resultado”, comenta. Com pretensão de seguir a profissão de youtuber, ele tem objetivos claros em mente: “Sem meta, seria como andar em círculos sem saber para onde ir; é importante tanto para a vida pessoal quanto para a profissional”.

Internautas devem buscar conhecimento

Os youtubers surgiram logo que a população percebeu que poderia utilizar a plataforma de vídeos como ferramenta para estar do outro lado e criar informações, de acordo com a doutoranda em Multimeios pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e mestre em Comunicação e Cultura pela Uniso (Universidade de Sorocaba), Thífani Postali. “A gente conversa com os mais jovens e pergunta ‘o que você vai ser quando crescer?’, e eles dizem ‘youtuber’”, afirma.

Para Thífani, a possibilidade de estar em vídeos democratizou a comunicação. “Não é só através dos filtros da grande mídia”, explica. “Pela primeira vez, não só pelo YouTube, mas pelas redes sociais, as pessoas podem se posicionar, podem falar”.

Como tudo tem os lados positivo e negativo, tal liberdade implica no cuidado do produtor e também do receptor da informação: “A gente vê muitos youtubers falando o que querem, sem propriedade. Isso acaba sendo um problema, porque as pessoas confiam nessa imagem, que Edgar Morin chama de ‘star system’”.

O público deve, então, ter em mente que youtubers são, em maioria, pessoas comuns, dando opiniões pessoais sobre determinados assuntos.

Thífani acha o YouTube uma boa oportunidade para que criadores de conteúdo tenham espaço para mostrarem seus trabalhos. “O que é diferente daqueles que falam ‘vou abrir um canal, mas ainda não sei o que fazer’”, exemplifica.

A pesquisadora ainda repudia a postura de alguns canais. “Quando a gente pega uma pessoa que tem milhões de seguidores no YouTube e ela fala que tal dieta resolve sua vida em um mês, é problemático, porque você se torna um influenciador”, pontua. “A pessoa insere e retira significados das coisas. O que eu critico é a não medida sobre o que falar e como falar”.

A cultura do brasileiro em ter credibilidade cega na grande mídia complica a situação, segundo Thífani. “Por anos, nós nos deixamos levar por aquilo que a gente via na tela da TV. Quando a gente passa para a tela da Internet, continua acreditando”, observa. “Estamos num momento de aprender; ainda somos analfabetos digitais”.

COMUNICAÇÃO – Thífani defende que o momento é de diálogo e de estudos. “A chave para você não ser engolido por tantas opiniões é, justamente, buscar informações com profissionais, artigos, livros e matérias, para daí mensurar se aquilo é válido ou não e ter sua própria opinião”, afirma.

“A gente vai no básico e fecha com uma ideia vazia. A Internet depende muito mais da nossa atitude para investigar as coisas do que a TV, que dava tudo pronto”, diz a pesquisadora. “Depende muito da gente e nós não estamos preparados. Temos que falar mais sobre isso”.

PROFISSÃO – Cursos são dedicados à produção de vídeos para a Internet, enquanto o número de pessoas que criam canais continua aumentando. No entanto, Thífani acredita que o fenômeno não deve perdurar dessa maneira por tanto tempo. “Não sei o que vai acontecer, mas acredito que seja uma fase”, diz.

Para a pesquisadora, tratar youtuber como uma profissão é arriscado. “É uma coisa que você faz sem esse nome”, opina. “Você pode viver de um canal no YouTube, mas não é uma profissão”, reconhece.

Logo, Thífani acha válido que os usuários dessa ferramenta estejam buscando ir além da plataforma e espera que, para os que continuem fazendo vídeos, cuidados sejam tomados. “Espero que haja regulamentação!”

Link da matéria: http://www.diariodesorocaba.com.br/noticia/252835

Nota sobre saúde, nota sobre a minha história.

Decidi compartilhar para que mais pessoas busquem ajuda
Durante toda a minha vida, achei que eu fosse fraca para dores. Desde a minha primeira menstruação, sofro com cólicas, tendo que ir, por muitas vezes, ao Pronto Socorro para ser medicada às pressas. Eu não entendia porque eu não suportava aquela dor, já que com a maioria das meninas que eu conhecia, ainda que sofressem, não era dessa forma. Eu não sabia explicar exatamente o lugar da dor. Começava no útero, mas ia para as costas, pernas, intestino etc. Era insuportável e todo mês, antes de menstruar, eu ficava apavorada. Passei todo esse tempo indo a médicos, fazendo exames. Nada! “É só cólica menstrual”, “Toda mulher tem isso”, “Você tem que ser mais forte” etc. Como ser mais forte se até o corpo desligava?

Depois dos vinte e cinco anos, as dores deram uma trégua, mas as cólicas voltaram com tudo após os 30. Tenho 34. Busquei vários médicos e eu dava todas as dicas: tenho dor fortíssima em meu intestino e, durante a menstruação, ela fica insuportável. Invalida-me. Sinto dores abdominais, sinto sempre os três mesmos pontos em meu abdômen, além do intestino. Bateria de exames e nada. Ginecologistas e gastros diziam a mesma coisa: seus exames estão perfeitos, você está bem! Alguns diziam: deve ser emocional.

Certa vez, uma médica me disse: isso está com cara de endometriose, mas o seu convênio não cobre o tratamento e nem os exames. Opa! Descobri que os diversos exames que havia feito não detectavam a tal endometriose. Disse ainda: tome anticoncepcional e, se melhorar, deixa assim.

No ano passado, 2016, tive uma forte dor abdominal e busquei a ajuda de médicos especializados nessa tal de endometriose. O que é isso, afinal? Paguei  médicos e exames caríssimos, e descobri um nódulo em meu intestino. Exatamente onde eu reclamava de dor. A médica, então, me alertou: você tem endometriose profunda, mas não temos outra forma de detectar como está o seu abdômen, senão pela cirurgia. O custo da cirurgia é demasiadamente salgado, pois envolve duas equipes médicas: ginecológica e gastrointestinal. Nesse mesmo momento, fiz um convênio melhor, que cobria boa parte dos profissionais que eu precisava. Ainda bem que descobri a essa altura da vida! Como custearia tudo isso com vinte e poucos anos, sem a ajuda de familiares e amigos? A frase que não sai da minha cabeça: Como é possível não existir tratamento para quem não pode pagar?

Bom, de lá para cá, as dores se intensificaram e eu tive que tomar ainda mais providências. Os médicos, a princípio, queriam remover o útero e 15 cm do intestino. Eu comecei a estudar sobre a doença e busquei outros profissionais, menos radicais. Descobri que a remoção do útero não elimina a doença que, aliás, não tem cura, mas ainda bem, tem tratamento. Descobri que, dependendo da posição e do tamanho do nódulo, não é necessário remover 15 cm de intestino. Comecei a levar as coisas com mais calma, sempre buscando ajuda. Que providências tomei?

Minha cirurgia foi marcada para 26 de junho. Até lá, eu deveria manter a calma e cumprir com todas as minhas obrigações: sou professora, faço doutorado e tenho uma agência de publicidade. Também acredito que muito das nossas doenças são provocadas pelo emocional. Então, busquei me cuidar e mudar o que eu pude na minha vida.

De fevereiro (2017) para cá (julho), resolvi:

  1. Mudar a minha alimentação: diminuí o consumo de carne de boi, porco e frango, e incluí mais vegetal. Continuo consumindo carne, mas com bem menos frequência e quantidade. Troquei o possível por farinha integral e inclui frutas na dieta (nunca tive o hábito). Até passei a frequentar feira! Diminuí bebida alcoólica – sim, sou chegada a uma cachacinha, opa! Resultado: emagreci 4 kg em 3 meses.
  2. Trabalhar de casa: para isso, tive que abrir mão de muitas coisas relacionadas à agência de publicidade. Fechamos a sala no centro da cidade e tomei a decisão de não abraçar o mundo nessa área. Não foi fácil para mim. Resultado: por que não fiz isso antes?
  3. Cozinhar para mim: durante a semana, faço o meu almoço, chás e cuido de minha saúde. Fica mais fácil quando se está em casa. Desde os meus 18 anos de idade, me alimentava na rua por falta de tempo. Resultado: sinto-me mais leve e saudável.
  4. Cuidar da fé: não tenho religião definida, mas respeito e compartilho da maioria. Busquei ajuda e recebi de diversos amigos. Isso ajudou a manter a minha fé, que estava totalmente abalada. Eu tinha muito medo da cirurgia. Resultado: equilíbrio.
  5. Aproximar os amigos mais queridos: aqueles que não falam dos outros, que gostam de cozinhar, cantar, brincar. Eu já estava trabalhando nisso há anos, mas esse último ano foi o ápice. Resultado: mais amor e alegria.
  6. Afastar pessoas negativas: essencial quando se está fragilizado. Não é ser egoísta, aprendi isso, é preservar a saúde para depois poder ajudar. Mas, também tem gente ruim no mundo, e esses devem estar bem longe. Resultado: passo menos nervoso.
  7. Toquei e cantei mais: reuni os amigos para fazer uma das coisas que eu mais gosto: tocar violão e cantar. Para isso, montei uma pasta de músicas sertanejas e foi a melhor coisa que fiz nesse ponto. Resultado: peito cheio de alegria.
  8. Frequentei mais a casa da minha avó: antes, se eu parava uma tarde para isso, eu me sentia culpada por não estar trabalhando. Olha, para quem trabalha quase todos os dias nos 3 períodos, não parar para ver a vó é que deveria ser motivo para culpa! Resultado: felicidade e recebimento de carinho.
  9. Participei mais da família: receber e dar mais carinho. Estar mais com os meus sobrinhos que eu tanto amo! Resultado: mais amor.
  10. Arrumei a casa: aos poucos, eliminei tudo o que não usava em minha casa. Resultado: sensação de limpeza, leveza e organização.
  11. Olhei mais para mim: sem me preocupar com o que os outros estão pensando. Se eu tenho que dizer não, direi. Melhor do que fazer de mal grado e acumular sensação ruim.
  12. Arrumei uma cachorra para fazer companhia: é uma das coisas mais incríveis da vida. É uma vida que te dá muito amor sem você esperar. É ter motivos para voltar para casa feliz e deixá-la querendo voltar. Eu não ficava na minha casa, eu não ocupava o meu espaço. Eu não sabia, mas isso me fazia muito mal. Resultado: nem preciso falar!
  13. Cuidei da parte psicológica: busquei entender mais sobre meditação, técnicas de respiração etc. Resultado: mais autocontrole em momentos tensos.
  14. Passei 2 meses na casa da minha mãe: para sentir proteção quando estava apavorada. Resultado: fiquei mais forte!
  15. Pratiquei pilates e reeducação postural.
  16. Mandei até fazer uma plaquinha para não pressionar os dentes, o que me trazia dores no maxilar e cabeça.

 

Ufa! Acho que eu nunca havia olhado para mim, não dessa forma, com cuidado!

Todas essas mudanças, e mais algumas que eu não me recordo agora, me fortaleceram para que eu chegasse à cirurgia mais confiante e em paz. Com menos dores abdominais, na coluna etc.

Ela aconteceu, durou quase 5 horas e foi um sucesso. Ainda que eu tenha removido um pedaço do intestino, foi bem menos que 15 cm: 4,5. Tirei lesões exatamente dos lugares que eu mostrava aos médicos: um pedacinho do ovário, nódulo na bexiga e canal urinário. Fiquei 4 dias no hospital me recuperando, mas me recuperei muito bem! Tão bem que o médico disse que  eu poderia me alimentar só dois dias após o procedimento, mas duas horas depois, eu já tomava um café com leite e, no dia seguinte, arroz e carne branca. Hoje, completo 10 dias e me sinto ótima! Revisada! Modificada “de corpo e alma”. E eu tenho muito a agradecer, a todos os amigos e familiares que ficaram do meu lado, todos eles sabem que me ajudaram de alguma forma. Mas gostaria, especialmente, de agradecer a duas grandes mulheres que se doaram fisicamente e psicologicamente para me ver bem: Bruna Bellotto ❤ e Solange Postali, minha mãe. É impossível descrever o sentimento de gratidão! Outros amigos me ajudaram demais, demais mesmo! Eles sabem e eu sou eternamente grata por isso. Entendi um pouco mais sobre o que é a vida e as relações humanas. Sou grata por ter pessoas tão especiais em meu caminho.

Enfim, descobri que eu não era fraca para dor, mas sim muito forte! Aguentei isso por mais de 30 anos! Portanto, se você é mulher e sente essas dores, procure especialistas o quanto antes! Se tratar com tempo, talvez nem precise da cirurgia. Se o seu corpo te dá sinais de dor, de que algo está errado, ele é que está certo! Insista com os médicos! Se o médico diz algo que você não concorda plenamente, busque informações e outros profissionais. Mas, lembre-se: se falar com pessoas que tiveram ou têm os mesmos sintomas, cada corpo é um, cada caso é um. Não se apavore e evite apavorar os outros.

Endometriose é algo sério e precisa ser tratado. Infelizmente, o diagnóstico ainda leva anos e depende muito mais de nossa insistência com os médicos e aqueles que estão a nossa volta. Não deixe para depois.

Resolvi escrever este relato para compartilhar, pois só quem tem sabe o quanto é difícil achar informações sobre. Apavoramo-nos porque não encontramos as causas e cura, justamente porque é algo relativamente novo para a medicina. Eu e meu médico apostamos que uma das causas são os alimentos modificados. Mas a ciência ainda não provou. Na dúvida, se alimente bem e mude o que for possível para uma vida mais saudável e mais focada em você.

Thífani Postali

 

Artigo publicado em revista científica

capa tríade

v. 5 n. 9 (2017): Metodologias para análise de narrativas midiáticas: Reflexões sobre teoria e práxis

Thífani Postali, Fabio Nauras Akhras

PDF: Artigo Tríade 2017_Postali Akhras

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Livro: Cidade e Comunicação v2

Capa Cidade e Comunicaçãoa v2_2016.jpgO livro promete e consegue amenizar a miopia cultural de que todos sofremos, graduados e não graduados, no conhecimento e na análise da realidade nacional. Sob qualquer ângulo, o social, o político, o econômico, o País hoje parece bloqueado por ideias superadas, convicções sem lastro sólido, preconceitos de toda ordem, apegos cegos ao que já passou, carência de gente capaz de enxergar e executar um futuro melhor. Predominam muitas nuvens a encobrir a visão direta e objetiva da sociedade que somos. Seríamos todos, culturalmente, míopes? (Aldo Vannucchi)

vol. 2/Paulo Celso da Silva; Thífani Postali. Jundiaí, Paco Editorial: 2016.
172 p. Inclui bibliografia.
ISBN: 978-85-462-0527-1
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Artigo publicado em livro – 2017

Artigo: COMUNICAÇÃO, TRABALHO E TERRITÓRIO: UM ESTUDO SOBRE A FUNKEIRA MC VÉIA
As pecapa book chile 2017squisadoras paulistas Miriam Cristina Carlos Silva e Thífani Postali trataram do tema Comunicação, trabalho e território: um estudo sobre a funkeira mc véia, no qual a cultura e a identidade são vistas como híbridas, oferecendo a possibilidade de retornar o cotidiano de desencontros e dificuldades vividos pela personagem nos territórios de favela carioca.

ISBN:
978-85-62263-03-3
Publicado em 2017.

Download do livro:
Ebook-chile-finalizado-2017-170125210048

Artigo publicado em livro

capa Nami_ Eduardo CoutinhoArtigo: O CINEMA DE EDUARDO COUTINHO COMO NARRATIVA
DE CONSCIENTIZAÇÃO SOCIAL: uma análise de Boca de Lixo
Thífani Postali

Link para download: E-book – Eduardo Coutinho em Narrativas

Entrevista – Arte na TV

Lançamento de “Cidade e Comunicação: a miopia sobre o mundo e outros textos.
2014.

Precisamos voltar a cozinhar

       Artigo publicado na Gazeta de Votorantim, em 22 de abril de 2017.

  A razão é a principal característica humana e é responsável por todas as transformações realizadas na natureza pela espécie. O ser humano é o único ser que manipula os alimentos de modo a criar novas combinações e formas para se alimentar. Com a dominação do fogo, o ser humano passou a transformar ainda mais os alimentos, de modo que o ato de cozinhar transformou-se em uma das expressões culturais mais importantes da humanidade, não se restringindo apenas ao ato de se alimentar, mas proporcionando a socialização entre os indivíduos.

            Para muitas culturas, o ato de almoçar e jantar tornou-se um ritual familiar de confraternização. Todavia, com a industrialização e as transformações sociais ocorridas após as revoluções, o crescimento das cidades, populações, tarefas durante o dia, distâncias entre os locais e com o alcance das mulheres ao mercado de trabalho, o ato de cozinhar perdeu alguns de seus significados, abrindo espaço para alimentos transgênicos e industrializados.

            Ocorre que muitas vezes desconhecemos o que estamos ingerindo, principalmente quando nos referimos aos produtos enlatados, que hora ou outra aparecem em escândalos sobre contaminações. Em decorrência dessas e de outras situações, muitas pessoas adoecem sem ao menos saber a causa de seu problema, pois por atender o capital, os veículos de comunicação pouco falam sobre as consequências dessa alimentação com produtos processados ou modificados.

            Obviamente, sabemos que com o ritmo desse modelo social, torna-se impossível não se deparar vez ou outra com esse tipo de alimento. A questão é que devemos voltar a achar graça nas verduras não tão apresentáveis, diferentes daquelas que se assemelham aos enfeites de plástico da cozinha; o mesmo cabe aos legumes, às frutas etc. Devemos, quando possível, voltar a achar graça na cozinha como forma de reunir a família e os amigos e, assim, reunir os companheiros para compartilhar o pão! Desta forma, quem sabe, resistiremos de modo saudável aos alimentos avassaladores do mercado industrial, resgatando o que há de mais importante na vida humana: saúde e sociabilidade. Homens, mulheres, crianças, jovens: cozinhem!

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Entrevista para a Rádio Fritura

Entrevista para a rádio Fritura, 17 de abril de 2017.
Games, Cinema e Hip Hop.

Isso não é humor: Danilo Gentili e as migalhas do riso

Artigo publicado na página A2, Jornal Cruzeiro do Sul em 04/04/17.

Isabella Reis Pichiguelli,com Thífani Postali

O humor não está em toda piada que faça rir. O aspecto constituinte do humor está na parte de dentro, no espírito. Humor que é humor está sempre direcionado à quebra de barreiras, tabus, status quo. Mikhail Bakhtin ensina que a maneira do riso para tanto é sua ambivalência: tem um lado positivo e um negativo, inseparáveis. Ao mesmo tempo, o riso destrói e reconstrói, mata e ressuscita, desintegra e une. Não é dirigido especificamente contra nada ou ninguém. É de todos e para todos. O humor sempre leva à renovação dos estados das coisas, do mundo.

Por isso, humorista que é humorista não usa o humor como desculpa para falar o que e do jeito que quiser. E sabe que se lhe faltar o princípio positivo do riso, o outro é apenas migalha, resto que pode até gerar risada, mas nada mais. Sabe que se lhe faltar o poder de restauração, lhe falta o próprio humor. No entanto, há os que não são humoristas. Trabalham com a linguagem do humor, mas não fazem humor.

É fato que há muito o que cause risadas sem ser humor. Henri Bergson aponta que só rimos do que não nos afeta emocionalmente. Sem o aspecto positivo do riso, a unidade, o riso de todos e para todos, só é possível rir do que não se conhece. É por essa razão que predominam, no conteúdo daqueles que dizem fazer humor mas não o fazem, as ofensas e os discursos de senso comum, posto que estes são baseados na falta de empatia e em estereótipos que reduzem pessoas e ideais a rótulos, cujos solos férteis são os que possuem dominação sobre os demais e a buscam preservar.

Um exemplo desse humor que não é humor é o “”humor”” de Danilo Gentili, apresentador do The Noite no SBT. Na maioria de suas “”piadas””, exacerbam-se os preconceitos contra grupos distantes de sua realidade. Assim, obviamente, quem compactua com seus discursos é quem não se vê no conteúdo e que contribui com um tipo de discurso que tem como função manter a ordem dominante. São discursos de Gentili: “”Entendo os velhos de Higienópolis temerem o metrô. A última vez que chegaram perto de um vagão foram parar em Auschwitz””; “”O cara esperou uma gostosa ficar bêbada pra transar com ela. Todos sabemos o nome que se dá pra um cara desses: gênio””; “”Sério @LasombraRibeiro vamos esquecer isso… Quantas bananas vc quer pra deixar essa história pra lá?””, em resposta a um internauta negro; “”E esse dado da Ong Gay aí que “1 gay é morto a cada 26 hs”? 140 heteros são mortos a cada 24 hs. Alguém aí come meu c… hj? Só por segurança.”

Em entrevistas, Gentili sustenta que quem não ri de suas piadas é porque não possui senso de humor. Também crê que seu humor corrobora com a maioria da sociedade, ajudando a ir contra “”o que uma minoria tenta apascentar para que a sociedade toda viva de acordo com a agenda política deles””. Ou seja, ele não possui conhecimento sobre o que fala, o que reflete em seu trabalho. Mesmo que defenda que seu humor é autodepreciativo e contra o status quo, suas narrativas apontam para o contrário: quando se autodeprecia, não é taxativo como com outros grupos sociais, fazendo uso de um humor que não humilha, não o coloca (ou a seu grupo) numa situação inferior aos demais grupos.

Em suma, muitos comediantes têm se apropriado do humor esvaziando, de certo modo, o seu propósito. Acreditamos que num momento de grande tensão sobre os assuntos que envolvem aspectos político-sociais, o humor transformou-se com mais força em ferramenta de dominação e poder, em que aquele tem mais poder — visibilidade –, se presta a favorecer os discursos dominantes. E esses sim são minoria, caro Gentili.

Link para a página do Cruzeiro: http://www.jornalcruzeiro.com.br/materia/776954/isso-nao-e-humor-danilo-gentili-e-as-migalhas-do-riso